"Inverno da Alma" Debra Granik
Trata-se do filme de menor orçamento (2 milhões) a conseguir uma indicação ao Oscar de melhor filme. Li isso em algum lugar, mas realmente esse filme é mesmo uma espécie de "country noir". Misturar gêneros, aparentemente distantes, e ficar bom, é de fato um talento. O caso é que além do roteiro ter sido muito bem construído, não dá pra ignorar a atuação de Jennifer Lawrence, em seu papel de uma jovem caipira de Missouri que, depois da morte de seu pai e com a mãe doente, passa a assumir o cuidado dos irmãos mais novos, ensinando-os a sobreviver nas montanhas, ao mesmo tempo em que precisar, sozinha, enfrentar uma vizinhança muito simpática (#not) que a vê como um problema para comunidade local e querem se livrar dela! Em geral, os personagens são muito originais e acabam sendo todos muito interessantes, no melhor estilo country, todo mundo só usa camisa xadrez. Destaque especial para as personagens femininas que, abrindo mão de uma caricatura de mulheres interioranas sem expressividade, a diretora conseguiu mostrar muito bem outra feminilidade passado naquele ambiente... ela revela uma outra conduta e uma outra ética assumida pelo feminino naquele determinado contexto, naquele determinado lugar. Boa parte do filme, a treta toda que a personagem da Jennifer tem que resolver se dá entre as mulheres, e nem por isso a história fica mais soft... muito pelo contrário.
"O homem que não amava as mulheres" David Fincher
Sem dúvida gostei do filme, mas é uma opinião pra lá de tendenciosa. Vamos colocar que a atriz Rooney Mara encanta na sua atuação. Sua personagem, a jovem hacker, punk, esquisita, Lisbeth, também é do tipo que enche meus olhos de orgulho. A direção do Fincher não deixa a desejar... achei maravilhosa a forma como montou a história toda. Já que se trata de todo uma longa jornada em busca da verdade, o filme poderia acabar virando um Código Da Vinci, mas não virou. Ufa. Gostei do filme e até comprei o livro (mas dei de presente).
"Drive" Nicolas Winding Refn
Meu companheiro de apartamento com quem assisti esse filme, para definir o que o diretor dinamarquês tentou fazer, arriscou classifica-lo como "artístico de ação". Pode ser que houve mesmo um casamento entre a arte e a ação. Achei que o filme tem uma áurea meio Donnie Darko, por transmitir todo o tempo aquela sensação de que algo estranho vai acontecer, e sim, acontece. Não que um avião tenha caído no quarto de alguém (como acontece no Darko), mas, entre todo aquele clima noir e arrastado, um garfo ser enfiado no olho de algum dos personagens que estava a tomar seu café, não é algo que se estava exatamente esperando. Fora as cenas de violência crua e fria, as duas horas do filme são de pura paixão pelo ator Ryan Gosling que belamente faz o papel de um dublê de filmes de ação que resolve proteger sua bela vizinha das mãos de uma espécie de máfia sanguinária que coloca a vida deles em risco. O personagem é o filme: meio vilão, meio justiceiro, meio herói, o legal é que ele mata com amor e é bem bonito.
"The limits of Control" Jim Jarmusch
Esse filme é sensacional. Em seus quase nenhum diálogos, e em seu quase nenhum sentido, em sua quase nenhuma história, o filme as vezes parece falar dele mesmo e talvez da morte da arte pela realidade. O realismo é sutilmente atacado durante o filme, em defesa de formas mais subjetivas de ver o mundo. Nada é aprofundado no filme, mas o tempo todo há grande investimento nesse argumento sobre real e imaginação. Com isso, nada no filme é palpável, incluindo o personagem principal, uma espécie de matador ou investigador americano que está mais para flâneur, vagando pelas ruas de alguma cidade da Espanha, tomando suas ritualísticas duas xícaras de café expresso, conhecendo lugares inusitados na cidade, observando a arte, imerso na falta de sentido da vida. No limits, no control. Bill Murray aparece no filme, bem no final, como um grande vilão. Fim da história.
"Dead Man" Jim Jarmusch
A-M-O esse filme! Certo que é um faroeste nonsense. Como assisti em janeiro, já perdi o
time da escrita, sorry, mas precisava registrar aqui assim mesmo. Sobre esse filme eu posso apenas dizer que Wiliam Blake (Johnny Depp) viaja com Nobody, um sábio e misterioso índio que o ajuda após ter tomado um tiro. O caso é que não se sabe se Nobody é alguém e se Blake realmente viaja.